O Brasil recebe cultura estrangeira o tempo todo - é um dos efeitos da globalização. Sempre estamos ouvindo uma música de fora, assistindo um filme, lendo um livro ou acompanhando uma série. Nesse meio, há pessoas que gostam de tudo quanto é tipo de coisa, das mais convencionais às mais diferentes.
O E aí, POP? conversou com sete pessoas que compartilharam seus gostos, indo além da cultura norte americana. Dá uma olhada:
Mário Henrique Perin, 32, bancário, fala sobre o
contato com a música latina e espanhola por meio da novela MariMar. Ele conheceu
a novela enquanto estava de férias na casa da avó e acabou viciado. Pouco tempo
depois, descobriu na TV por assinatura o canal espanhol Telehit, que na ocasião
estava passando um clipe da cantora Thalía (que interpretava a personagem
MariMar). Após isso, ele começou a assistir o canal regularmente.
Por ser fã de heavy metal, era zoado pelos amigos
por gostar de Thalía. Ele inclusive tinha um pôster gigante da cantora em seu
quarto. Além da artista, ele acabou conhecendo outras bandas, como Mecano,
Aurora y la Academia, Maná e Molotov. Mário também era fã do programa de
auditório “Calabozo 2000” (antigo El Calabozo) e do programa de fofoca “Las
Malas Lenguas”. “Consegui aprender um pouco do idioma”, revela. Palavras como
“chismes” (fofocas) e “embarazada” (grávida) fizeram parte de seu vocabulário
graças ao contato com a língua pela TV.
Johnny Martins, 20, eletricista, é fã de animes e
conta que os seus favoritos são Fullmetal Alchemist e Death Note e que também
assiste novelas mexicanas com a namorada. Por outro lado, não gosta de mangás.
Ele conheceu as animações por indicação de um
amigo. Sobre o preconceito por gostar de algo diferente, ele diz: “Já fui
zuado, mas não a ponto de ser bullying”. Quando questionado sobre o crescimento
dessa cultura no país, destaca que com certeza haverá um aumento.
Luis Fernando Ferreira, 20, tecnólogo em tecnologia da informação, ama a cultura britânica. Filmes, escritores e bandas fazem parte do seu dia a dia e teve contato com o cinema graças ao pai. Os escritores J. R. R. Tolkien (autor de O Hobbit e Senhor dos Anéis) e Arthur Conan Doyle (criador do detetive Sherlock Holmes) são os seus favoritos e foram indicações de amigos.
Na música, gosta de bandas como Beatles, Iron Maiden, Oasis, Led Zeppelin, Pink Floyd e The Who, que descobriu por amigos e familiares. Ele conta que já sofreu preconceito por ser cinéfilo e com relação à música. “Algumas pessoas achavam que eu invocava o demônio”, acentua.
Flávia Piazzi, 36,
professora de dança e de história da arte, fala sobre o seu contato com as
danças de outros países. O interesse veio quando sua irmã apareceu com uma fita
VHS de aula sobre dança do ventre. Tentou aprender sozinha, mas diz que não era
a mesma coisa.
Quando arrumou um
emprego como secretária numa escola de dança, para ajudar a pagar a faculdade,
acabou fazendo aulas de jazz, ballet contemporâneo e dança do ventre. Desde
então, não parou mais. Pouco tempo depois, a escola mudou de dono e ela acabou
perdendo o emprego. Para pagar a segunda faculdade, começou a dar aula de
dança. Investiu em workshops e aprendeu flamenco, tribal, dança indiana, dança
afro brasileira, dança havaiana, dança cigana, said, stiletto e até pole dance.
Questionada
sobre qual dança gosta mais, ela responde “Se eu for pensar em preferência, a
dança do ventre é queridinha”. Entretanto, ela comenta sobre a conexão que tem com
danças específicas, como numa vez que ficou em estado de transe após fazer uma coreografia
de dança africana, com a música “Canto de Ossanha”. Em relação ao preconceito,
Flávia diz sobre a associação da dança como algo vulgar. “Foram inúmeras as
vezes em que me mandaram mensagens perguntando quanto era o programa”. Ela
também comenta que quando ia à igreja, as pessoas diziam que a dança era apenas
“ritual de acasalamento”.
Fernanda Atayde, 23, jornalista freelancer, admira
o cinema e a música francesa. Ela declara que conheceu os filmes por meio da
internet e do SESC (Serviço Social do Comércio). Sua produção favorita é o musical “Les Chansons d’Amour”,
que fala sobre o amor livre, relacionamentos bissexuais e homossexuais. Na
música, gosta da cantora Soley.
Ela explica que as pessoas costumam estranhar as
produções francesas, porque os roteiros diferem do estilo americano, que a
maioria está acostumada. Sobre o preconceito, ela diz que já sofreu, mas pelo
fato de gostar de produções que abordem o tema LGBT, não por ser exclusivamente
francesa.
Shirley Oliveira, 57, enfermeira, ama o movimento
K-pop (Korean Pop). Ela conheceu a cultura por acaso. “Estava cansada de filmes
americanos, tem muita violência e sexo”, confessa. Procurando por algo
diferente na Netflix, esbarrou com o filme coreano “Secret Garden”, e foi
paixão instantânea. Ela foi atrás de filmes e séries e aos poucos foi
conhecendo os costumes e a cultura coreana, percebendo que existe uma vida
pulsante na Ásia.
Suas bandas favoritas são Exo e Big Bang, além de
muitas girls band. A explicação é de que são todos muito artísticos. Em relação
a língua, ela acha que é muito bonita, com uma linda sonoridade. No quesito
preconceito, tira de letra. “Eu sempre penso que as pessoas tem dificuldade em
aceitar, que tem pensamentos diferentes. A tendência é o estranhamento”,
acentua.
Além desses casos onde você se aproxima de uma cultura estrangeira, diferente do seus costumes, há situações onde você já está inserido nela. É o caso de Shirley Liset, que descende de uma família boliviana e desde criança tem contato com a cultura latino americana e espanhola.
Shirley tem 18 anos e explica que a cultura argentina também está muito presente na sua formação, porque seu
pai viveu por um tempo no país. Ela tem contato com a culinária, música,
livros, cinema, programas de TV e rádio, além de falar fluentemente o espanhol.
A aproximação com a cultura de outros países latino americanos e com a Espanha
se dá pela língua. “Como é a
mesma língua, facilmente você pode ter conhecimento sobre as culturas dos
países vizinhos”, revela.
Seu filme favorito é
“No Se Aceptan Devoluciones”, por ser recente e ter uma linda história. É fã da
banda espanhola Love of Lesbian. “Eles tocam indie rock e acho eles
magníficos”, diz. Além desta banda, gosta de outros artistas como Vetusta
Morla, Supersubmarina, Dorian e o cantor Gustavo Cerati, ex-vocalista do Soda
Stereo.
Sobre a xenofobia em
cima de sua cultura, ela expõe que as pessoas acham tudo muito bonito, acham
exótico. Mas, vir de um traço histórico, tendo a cor da pele e características
físicas, faz com que seja diferente. Ela diz que já ouviu muito xingamento, que
as pessoas não conseguem conviver com as diferenças e que muitas vezes teve que
fingir que se “acostumou” com essa triste realidade. “Isso não é só por minha
parte, não respondo só por mim”, finaliza.





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